Esqueceu sua senha? | Cadastre-se

Projetos dão nova cara ao setor ferroviário.

01/08/2016

Os projetos apresentados por pesos-pesados do setor durante workshop na Fiesp devem elevar consideravelmente a participação das ferrovias no transporte de carga, tanto geral quanto em contêineres. E para os passageiros, os trens devem se tornar boa opção na macrometrópole de São Paulo. O sucesso desses empreendimentos depende de acertos na regulação, especialmente de um bocado de negociação em relação ao direito de passagem, e há expectativas quanto à renovação antecipada de concessões.

Alexandre Porto, superintendente de ferrovias da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), mostra-se otimista. Segundo ele, o Programa de Parceria e Investimentos (PPI), instituído pela MP 727, é considerado pelos técnicos do setor um avanço. A definição da governança facilita o processo decisório e a discussão com os órgãos de controle. Há priorização dos projetos, e as concessões são no modelo vertical com direito de passagem.

Ao analisar as duas etapas do Programa de Investimento em Logística (PIL), Porto disse que um grande avanço entre as etapas foi perceber que já existe uma malha. Não basta expandir a malha, defendeu – também é preciso melhorar a atual. Percebeu-se também a necessidade de melhorar o ambiente regulatório.

Em relação ao direito de passagem, afirmou, há questões técnicas e operacionais a resolver, incluindo sinalização das vias e habilitação dos condutores.

Gustavo Bambini, diretor de Relações Institucionais da MRS Logística, disse durante o workshop que foi estruturada política para o setor ferroviário que não era vista havia muito tempo. Ao falar sobre o Ferroanel de São Paulo, explicou que boa parte do que seria seu trecho Sul já foi feita, mas ainda faltam obras estruturantes. Ressaltando que defende a construção do Ferroanel, lembrou que há a opção de escolher pontos prioritários para garantir o escoamento e um sistema logístico mais eficiente, sem necessariamente construir um anel.

O Ferroanel, afirmou, não é a tábua de salvação do gargalo logístico do Estado de São Paulo. “Sozinho o Ferroanel não resolve o problema.” É preciso, disse, ter condições de acesso a Santos.

Bambini destacou também a importância que o Ferroanel teria para Estados vizinhos – com a eventual ligação do tramo de Perus a Itaquaquecetuba permitindo chegar aos portos do Rio, viabilizando a carga geral e de contêineres entre as regiões metropolitanas, e com a ligação a Minas Gerais, resolvidas limitações da malha paulista.

Também participou das apresentações Silvana Alcântara, da VLi, que disse que a empresa encerra em 2017 investimentos de R$ 9 bilhões, mas continuará em expansão. “A gente não tirou o pé do acelerador.” Boa parte do investimento foi para Santos (R$ 2,7 bilhões). Toda a carga chegará ao terminal da VLi via ferrovia.

Guilherme Quintella, da EDLP, falou sobre a Contrail Logística, projeto iniciado junto com a MRS, e sobre os Trens Intercidades, para transporte na macrometrópole de São Paulo. Há oportunidade na otimização das faixas de domínio ferroviário, disse. A ideia dos projetos é essa. Os dois projetos usam a mesma malha, e há a previsão de expansão futura, para o que são reservadas duas faixas.

A Linha Norte-Sul, de Americana a Santos, compartilhará a malha com outras concessionárias. A Oeste-Leste ligará Sorocaba a Taubaté. Ao todo, serão 487 km de linhas. Implantado em modelo de parceira público-privada, o projeto dos Trens Intercidades têm, segundo Quintella, potencial de atender 26 milhões de habitantes, com demanda estimada em 200 mil passageiros por dia. Serão 24 estações. Os Trens Intercidades podem reinserir a ferrovia no transporte de média distância, afirmou Quintella. Projeto deve ser financiável e rentável, com riscos minimizados, aproveitar os ativos públicos existentes e viabilizar uma rápida implantação, graças ao uso das faixas de domínio.

A Contrail aumenta a competitividade da indústria paulista, afirmou Quintella. Lembrou que a maioria dos produtos sai de Santos por rodovia. Meta é aumentar de 2% para 20% em 2021 a participação de contêineres no porto de Santos.

Julio Fontana, da Rumo, falou sobre expansão da malha e prorrogação das concessões. Expansão não é algo simples, explicou, pelos contratos atuais. A meta da empresa é dobrar a capacidade das ferrovias para escoar toda a produção do Estado de São Paulo e os contêineres frigorificados do Centro-Oeste, além de transportar combustíveis para a região. De 30 milhões de toneladas a capacidade deverá aumentar para 65 milhões de toneladas em 2025.

O projeto, explicou Fontana, prevê migração de carga do modal rodoviário para ferroviário, permitindo redução de R$ 12 bilhões no custo Brasil. O investimento será de R$ 58 bilhões em 42 anos de concessão. Há, disse, compromisso de redução de tarifas. Em sua análise, o excesso regulatório dificulta o relacionamento entre o poder concedente e as concessionárias.

O workshop teve a mediação feita por Vicente Abate, diretor adjunto da Divisão de Logística e Transportes do Departamento de Infraestrutura da Fiesp (Deinfra).

Fonte: Brazil Modal.