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Rentabilidade dos exportadores volta a 2011.

17/10/2016

A valorização do real teve um papel primordial para que a rentabilidade das exportações regredisse. É o que mostra o levantamento feito pela Funcex (Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior) que desenvolve estudos sobre comércio exterior. O índice de rentabilidade apurado pela fundação na última pesquisa foi o menor desde novembro de 2011, quando o nível ficou em 79,5. Agora com três meses consecutivos em queda, o termômetro que mede a lucratividade das exportações brasileiras já tinha marcado 79,8 em julho, antes de ter a mínima renovada no mês seguinte.

Para chegar a esses valores, a Funcex desconta do preço das exportações - convertido em reais pela taxa de câmbio do mês analisado - o custo de produção do produto embarcado. O resultado é uma taxa de rentabilidade que a fundação calcula para todas as exportações brasileiras e, individualmente, a cada um dos 29 setores monitorados. Em agosto, quando o dólar teve, na média, a cotação mais baixa em 14 meses, a rentabilidade teve crescimento no comparativo anual apenas no segmento de "indústrias diversas", que reúne produtos de pouca representatividade na pauta das exportações, como joias, instrumentos musicais, artefatos esportivos, brinquedos e aparelhos de uso médico.

No período, o real ficou mais caro não apenas em relação ao dólar, contra quem teve valorização, já descontada a inflação, de 14,9% no comparativo com agosto de 2015, mas também frente às cestas de moedas dos parceiros latino-americanos (21,5%) e da Europa (16,4%). Para o exportador, isso significa ganhar menos na conversão, na moeda brasileira, do faturamento obtido com embarques ao exterior. Custos de produção em alta e preços praticados nas exportações em baixa completam a equação, cujo resultado, apenas em agosto, reduziu em 14,7% o índice de rentabilidade das transações comerciais com mercados internacionais na comparação anual.

Em 12 meses até agosto, o balanço da Funcex revela aumento de 10,4% no custo de produção. Já os preços caíram 16,1% como reflexo da desvalorização das commodities e do corte nos preços em dólares cobrados pela indústria de transformação, que aproveitou a margem aberta durante o período de desvalorização do real para ganhar competitividade num mercado global pouco comprador.

O antagonismo nas trajetórias de preços e custos foi compensado por uma taxa de câmbio vista como "amigável" por exportadores durante a maior parte do primeiro semestre, mas que se traduziu em perda de rentabilidade quando a melhora de humor do mercado, após a troca de governo, conduziu a divisa ao valor mais baixo em mais de um ano - como aconteceu há dois meses.

O novo cenário introduz um ponto de interrogação tanto no desempenho das exportações, motor dos primeiros sinais de recuperação da indústria, quanto no ímpeto das empresas em investir uma quantidade razoável de recursos em estruturas de exportação e desenvolvimento de mercados internacionais.

Fonte: Guia Marítimo.