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China eleva tarifa de importação de açúcar e Brasil vai à OMC

21/09/2018

O governo brasileiro decidiu levar a China à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra barreiras impostas ao açúcar brasileiro. O início do processo foi autorizado no fim de agosto pela Câmara de Comércio Exterior (Camex). A primeira etapa, que é um documento de consultas à China, já está em elaboração e deverá ficar pronta até o fim do mês, segundo fonte do Itamaraty.

O processo promete ser longo, já que os tribunais da OMC vivem uma crise crônica diante da falta de juízes no órgão de apelação e do veto do governo de Donald Trump para a escolha de novos membros. O Brasil afirma ter tentado encontrar uma saída negociada, conduzindo consultas com Pequim, na esperança de convencer os chineses a não seguirem com a medida.

O diretor executivo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Eduardo Leão de Sousa, conta que, até 2016, o Brasil exportava perto de 2,5 milhões de toneladas à China, com receitas na casa de 1 bilhão de dólares, pagando uma alíquota de 50% no que excedia o volume de 1,9 milhão de toneladas determinado pelo governo chinês. Era, assim, o principal fornecedor do país asiático.

Alegando que seu mercado estava sendo “inundado” com açúcar brasileiro e que isso causava danos à produção local, a China adotou salvaguardas, que são elevações na tarifa de importação. Em 2017, passou para 95%, 90% em 2018 e 85% no ano que vem. Com isso, as vendas despencaram. Hoje, estão em 10% do que eram há dois anos. Enquanto isso, cresce o ingresso de açúcar contrabandeado no mercado chinês. “A gente se sente penalizado”, comentou Leão.

Fonte: Veja